sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Férias!



por Liniers


Bolsas de estudo no exterior

A jornalista Andrea Tissenbaum (Estadão) postou em seu blog uma lista de endereços úteis para quem pensa em pleitear uma bolsa de estudos no exterior. A lista completa, que pode ser encontrada abaixo, abrange mais de 15 países diferentes e conta com diferentes modalidades de cursos. Nosso presente de natal aos leitores do Liga!!

Bolsas de estudo no exterior 

  • B R A S I L:
Capes – Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior
Agência de fomento do governo federal. Oferece uma série de bolsas para vários países, especialmente em nível de DoutoradoPós-Doutorado e Estágios no exterior.
LINK:  http://www.capes.gov.br/bolsas/bolsas-no-exterior
CNPq – Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico
Oferece bolsas para Doutorado sanduíche e Doutorado pleno no exterior.
LINK:  http://www.cnpq.br/web/guest/apresentacao13
Ciência sem Fronteiras
Oferece bolsas de Pós-graduação para brasileiros e oportunidades de intercâmbio para alunos de Graduação. Para o Doutorado sanduíche ou para o Doutorado pleno em muitas universidades estrangeiras, o candidato interessado pode conseguir a bolsa apenas com o diploma de graduação.
LINK:  http://www.cienciasemfronteiras.gov.br/web/csf/pos-graduacao-doutorado
Fapesp – Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo
Oferece auxílio para a realização de Estágios de Pesquisa para bolsistas de Pós-Doutorado.
LINK: http://www.fapesp.br/bolsas
Ministério das Relações Exteriores – Divisão de temas educacionais (DCE)
Site oferece diversas oportunidades recentes de bolsas de estudos concedidas a estudantes brasileiros no exterior.
LINK:  http://www.dce.mre.gov.br/oportunidades/bolsas_recentes.php
Fundação Estudar
Oferece bolsas para alunos brasileiros realizarem Mestrado e Doutorado no exterior.
LINK:  http://bolsas.estudar.org.br/
Fundação Lemann
Oferece bolsas de estudos parciais e integrais em algumas das melhores universidades do mundo para pessoas de talento e potencial, comprometidas com o desenvolvimento do Brasil.
LINK: http://www.fundacaolemann.org.br/fellowship/
Programa de Bolsas de Estudo – Santander Universidades
Oferece cinco tipos de bolsas de estudo diferentes para alunos de Graduação,Pós-graduação e Professores.
LINK:  http://www.santanderuniversidades.com.br/bolsas/Paginas/default.aspx
Instituto Ling
Oferece bolsas de Mestrado e Pós-graduação para alunos já aprovados para os cursos de MBA, MPA e LLM em universidades de primeira linha no exterior,jovens jornalistas indicados por profissionais de renome da imprensa brasileira, alunos aprovados para um Mestrado em Engenharia na universidade IIT ou jovens indicados por entidades parceiras para participarem do programa de Pós-graduação em liderança Global, Competitiveness Leadership Program.
LINK:  http://www.institutoling.org.br/index.php/bolsas-de-estudo/
  • R E I N O   U N I D O:
Chevening UK Government Scholarships
Oferece bolsas de Mestrado em universidades britânicas para profissionais brasileiros talentosos.
LINK:  http://www.chevening.org/brazil/
Newcastle University
Oferece bolsas para brasileiros interessados em cursar seu Doutorado nesta instituição.
LINK:  http://www.ncl.ac.uk/international/country/southamerica/brazil/
Commonwealth Scholarship Program
Bolsas para Mestrado. Contemplam alunos brasileiros talentosos que queiram adquirir habilidades e conhecimentos que lhes permitam contribuir para o desenvolvimento do seu país.
LINK:  http://cscuk.dfid.gov.uk/apply/shared-scholarships/info-candidates/
  • E S T A D O S   U N I D O S:
Education USA
Disponibiliza periodicamente informações sobre oportunidades de bolsas de estudos em universidades americanas abertas para brasileiros.
Oferece o Programa Oportunidades Acadêmicas.
LINK:  http://www.educationusa.org.br/site/pt/ OU http://www.educationusa.org.br/site/pt/?page_id=2137
Comissão Fulbright no Brasil
Oferece bolsas de estudos para estudantes de Pós-graduaçãoProfessores ePesquisadores em universidades americanas.
LINK:  http://www.fulbright.org.br/
Também oferece bolsas em determinadas áreas para profissionais brasileiros em meio de carreira, pelo Programa Hubert H. Humphrey Fellowship Program.
LINK:  https://humphreyfellowship.org/
  • C A N A D Á:
Scholarships for non-Canadians
O programa de bolsas internacionais disponibiliza uma série de ofertas para candidatos brasileiros interessados em fazer Pós-graduação ou desenvolverPesquisas no Canadá.
LINK:  https://w03.international.gc.ca/scholarships-bourses/scholarshipnoncdn-boursenoncdn.aspx?lang=eng/scholarshipnoncdn-boursenoncdn.aspx
University of British Columbia – International Leader of Tomorrow Award
Bolsas para alunos de Graduação com excelente desempenho acadêmico, liderança e envolvimento com a comunidade.
LINK:  http://internationalscholars.ubc.ca/about-the-program/ilot/
Emerging Leaders in America Program
Oferece a alunos e pesquisadores oportunidades de intercâmbio de curta duração para estudo ou pesquisa – Graduação e Pós-graduação.
LINK:  http://www.scholarships-bourses.gc.ca/scholarships-bourses/can/institutions/elap-pfla.aspx?lang=eng

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Resgatando bancos

O poder estrutural dos bancos nas economias nacionais sempre foi um tema controverso nas ciências sociais. Após a crise de 2008 (e dos polpudos aportes de recursos públicos oferecidos aos bancos) a polêmica veio a tona mais uma vez. Dois artigos publicados este ano enfrentam diretamente o problema. O primeiro deles, escrito por Emiliano Grossman (Sciences Po) e Cornelia Woll (Science Po), procura medir o poder estrutural dos bancos através dos diversos "bailouts" - ou resgates - concedidos às instituições bancárias falidas, ou em vias de falir, na Europa pós-2008. Segundo os autores, o fato mais importante para uma divisão de risco vantajosa para os bancos (e, consequentemente, desvantajosa para os cidadãos) é explicada não tanto pelo poder econômico dos bancos mas pelo desenho institucional dessas instituições em cada país. Já os cientistas políticos Pepper Culpepper (European Institute) e Raphael Reinke (Zurich) publicaram na edição de dezembro da Politics & Society um artigo contestando tanto o poder estrutural de grandes instituições financeiras, como a ideia amplamente partilhada de que o governo dos EUA - devido ao volume de recursos controlados pelos bancos - estariam em uma posição de barganha mais fraca em comparação com o governo do Reino Unido. 

- Grossman & Woll: "Saving the Banks: The Political Economy of Bailouts"

Abstract

How much leeway did governments have in designing bank bailouts and deciding on the height of intervention during the 2007-2009 financial crisis? By analyzing the variety of bailouts in Europe and North America, we will show that the strategies governments use to cope with the instability of financial markets does not depend on economic conditions alone. Rather, they take root in the institutional and political setting of each country and vary in particular according to the different types of business–government relations banks were able to entertain with public decision makers. Still, “crony capitalism” accounts overstate the role of bank lobbying. With four case studies of the Irish, Danish, British, and French bank bailout, we show that countries with close one-on-one relationships between policy makers and bank management tended to develop unbalanced bailout packages, while countries where banks negotiated collectively developed solutions with a greater burden-sharing from private institutions


- Culpepper & Reinke: "Strutuctural Power and Bank Bailouts in the United Kingdom and the United States"



Abstract

The 2008 bailout is often taken as evidence of the domination of the US political system by large financial institutions. In fact, the bailout demonstrated the vulnerability of US banks to government pressure. Large banks in the United States could not defy regulators, because their future income depended on the US market. In Britain, by contrast, one bank succeeded in scuttling the preferred governmental solution of an industry-wide recapitalization, because most of its revenue came from outside the United Kingdom. This was an exercise of structural power, but one that most contemporary scholarship on business power ignores or misclassifies, since it limits structural power to the automatic adjustment of policy to the possibility of disinvestment. We show that structural power can be exercised strategically, that it is distinct from instrumental power based on lobbying, and that it explains consequential variations in bailout design in the United Kingdom, the United States, France, and Germany. 


segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Melhores artigos da Boston Review (2014)

Todos os finais de ano a Boston Review elenca os melhores artigos e fóruns de discussão que passaram pela revista ao longo do ano. Na edição de 2014, temos Mike Konczal sobre Picketty (uma das melhores resenhas que li sobre o livro e, principalmente, sua relevância no debate econômico contemporâneo), Ronald Aronson sobre os 50 anos do "Homem Uni-dimensional" de Marcuse, o fórum de discussão "Contra a Empatia" submetido pelo psicólogo cognitivo Paul Bloom (com réplicas de Sam Harris e Paul Singer) e Colin Dayan em um mau-humorado ensaio contra a antropomorfização dos animais. Enfim, ótima leitura (polêmica) para as festas de final de ano...

Boston Review's Top Articles 2014

1. Against Empathy | Paul Bloom argues that empathy is overrated. Peter Singer, Sam Harris, Leslie Jamison, Simon Baron Cohen, and others debate.

2. Studying the Rich | Mike Konczal on Thomas Piketty and his critics.

3. Is Life a Ponzi Scheme? | Mark Johnston reviews Samuel Scheffler’s Death and the Afterlife.
4. Dogs Are Not People | Colin Dayan on the anthropomorphizing of animals.
5. Syria in Revolt | Eminent Syria scholar Sadik al-Azm on understanding the origins of the Syrian revolution.
6. Zero Hour | Paul Hockenos on a group of East German anarchists who built a short-lived utopia in Berlin after the fall of the Wall.
7. Style over Substance | Leland de la Durantaye on the troubles of translating Proust.
8. In Defense of Narcissism | Vivian Gornick reviews Elizabeth Lunbeck’s The Americanization of NarcissismGeorge Scialabba responds.
9. How Finance Gutted Manufacturing | A forum led by Suzanne Berger.
10. Marcuse Today | Ronald Aronson: Fifty years later, One-Dimensional Man is more prescient than Herbert Marcuse could have imagined.
11. Cheap Signaling | Daniel Tiffany on class conflict and poetic diction. Others respond.
12. Feminism Can Handle the Truth Judith Levine on what the Rolling Stone/UVA saga means for feminism.
13. Why Public Schools Outperform Private Schools | Jeffrey Aaron Snyder
14. What Killed Egyptian Democracy| A forum led by Mohammed Fadel.
15. Ground Down to Molasses | Dave Byrne’s epic history of the folk song “Ain’t No More Cane on the Brazos.”
16. A Better Nation | Stephen Phelan on Scotland’s divisive independence vote.
17. What Can Blind People Tell Us About Race? | by Osagie K. Obasogie.
18. Let’s Be Real | Lucy McKeon reviews two new books by Roxane Gay.

sábado, 20 de dezembro de 2014

Concurso: Teoria Política (IESP/RJ)

O Instituto de Estudos Sociais e Políticos (IESP) abriu edital para a contratação de professor-adjunto na área de teoria política (40h semanais). As inscrições vão de 05/01 até a 16/01. Os documentos necessários e os pontos da prova teórica podem ser consultados no edital abaixo:

- Concurso Professor-Adjunto (Teoria Política) IESP-RJ

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Democracia e ditadura na América Latina

Scott Mainwaring (Notre Dame) e Anibal Perez-Lian (Pittsburgh) publicaram o livro Democracies and Dictatorships in Latin America: Emergence, Survival and Fall no começo deste ano pela Cambridge Press. Recentemente os autores deram uma entrevista ao site New Books in Political Science sobre os motivos que os levaram a revisitar os regimes autoritários no continente e as principais conclusões da pesquisa conjunta. O livro compara regimes democráticos e autoritários ao longo do século XX e apresenta dois estudos de caso de transições democráticas (Argentina e El Salvador). Segundo Mainwaring e Perez-Lian, a principal variável explicativa para a queda de regimes autocráticos na América Latina seria a pressão interna sofrida pelos regimes ditatoriais.   

- Mainwaring & Perez-Lian: "Democracies and Dictatorships" (interview) 




This book presents a new theory for why political regimes emerge, and why they subsequently survive or break down. It then analyzes the emergence, survival, and fall of democracies and dictatorships in Latin America since 1900. Scott Mainwaring and Aníbal Pérez-Liñán argue for a theoretical approach situated between long-term structural and cultural explanations and short-term explanations that look at the decisions of specific leaders. They focus on the political preferences of powerful actors – the degree to which they embrace democracy as an intrinsically desirable end and their policy radicalism – to explain regime outcomes. They also demonstrate that transnational forces and influences are crucial to understand regional waves of democratization. Based on extensive research into the political histories of all twenty Latin American countries, this book offers the first extended analysis of regime emergence, survival, and failure for all of Latin America over a long period of time

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

O socialismo de G. A. Cohen

Acaba de sair pela Cambridge Press o livro Distributive Justice and the Acess to Advantage com ensaios dedicados ao igualitarismo do filósofo socialista (e ex-professor de teoria política de Oxford) G. A. Cohen. O livro é editado por Alexander Kaufman (Georgia) e conta com a participação de autores como Elizabeth Anderson, Joseph Carens, Richard Arneson e David Miller. 




G. A. Cohen was one of the world's leading political theorists. He was noted, in particular, for his contributions to the literature of egalitarian justice. Cohen's classic writings offer one of the most influential responses to the currency of the egalitarian justice question – the question, that is, of whether egalitarians should seek to equalize welfare, resources, opportunity, or some other indicator of well-being. Underlying Cohen's argument is the intuition that the purpose of egalitarianism is to eliminate disadvantage for which it is inappropriate to hold the person responsible. His argument therefore focuses on the appropriate role of considerations regarding responsibility in egalitarian judgment. This volume comprises chapters by major scholars addressing and responding both to Cohen's account of the currency of egalitarian justice and its practical implications and to Cohen's arguments regarding the appropriate form of justificatory arguments about justice.






terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Chamada: Meetings on Ethics and Political Philosophy (Minho)

Está aberta a chamada para o VI Meetings on Ethics and Political Philosophy organizado pelo Grupo de Teoria Política da Universidade do Minho (Portugal). O evento é uma excelente oportunidade para aqueles que querem dar os primeiros passos na participação de eventos internacionais na área (além de estar localizado na belíssima cidade de Braga!). O encontro ocorre entre os dias 8 e 9 de junho de 2015 e o deadline para o envio de propostas é 31 de janeiro. Os palestrantes convidados serão Simon Caney (Oxford) e Samuel Scheffler (NYU).

Participem!

University of Minho (Braga), June 8-9, 2015

After five successful meetings on previous years, we now welcome paper proposals for the fifth Meetings on Ethics and Political Philosophywhich will be held at University of Minho, Braga (Portugal), on June, 8-9 2015.

The Meetings provide an excellent opportunity to present both advanced and exploratory work in front of an open and welcoming audience. 

This year, we have two keynote speakers:


Prof. Samuel Scheffler (NYU) will offer a lecture entitled “Why Worry about Future Generations?”


Prof. Simon Caney (Oxford) will offer a lecture on Global Injustice and the Rights of Necessity and Resistance.”


Abstracts:

We will have a special section on cosmopolitan challenges with some prospects of publishing a selection of papers as a special issue in an academic journal in the field. If you are interested in presenting a paper in this section, please write “cosmopolitanism” before the title.

If you are interested in presenting a paper on a topic of your choice for other panels, please write “general” before the title.

For all abstracts:  send your contact and affiliation, an abstract (300 to 500 words) and 5 key words, by January 31st to João Cardoso Rosas (rosas(at)ilch.uminho.pt) and David Alvarez (alvarez (at) ilch.uminho.pt). Abstracts will be submitted to peer-review.


Deadline for submissions: 31st January 2015.

Deadline for notification of acceptance: 28th February 2015.

Information about registration, accommodation and travelling will be available on this site. 

This event is organized by the Political Theory Group of CEHUM, University of Minho (Braga).

domingo, 7 de dezembro de 2014

A Ansiedade Branca

George Yanci tem realizado uma série de entrevistas com filósofos sobre a noção de "raça" nos Estados Unidos (as entrevistas anteriores de Yanci podem ser lidas aqui). Na entrevista da semana passada, Yanci discutiu o papel da classe média branca norte-americana diante do acirramento dos conflitos raciais no país com a filósofa Shannon Sullivan. Sullivan também discutiu de que forma os papéis raciais estruturam a formação do conhecimento acadêmico e como, apenas em uma fase avançada de uma carreira dedicada ao feminismo, ela passou a perceber os efeitos da "branquidão" em sua própria atitude profissional. 


[...]

G.Y.: How did whiteness shape your philosophical training? When I speak to my white graduate philosophy students about this, they have no sense that they are being shaped by the “whiteness” of philosophy. They are under the impression that they are doing philosophy, pure and simple, which is probably a function of the power of whiteness.

S. S.: I think I’m only just discovering this and probably am only aware of the tip of the iceberg. Here is some of what I’ve learned, thanks to the work of Charles Mills, Linda Martín Alcoff, Kathryn Gines, Tommy Curry and many other philosophers of color: It’s not just that in grad school I didn’t read many philosophers outside a white, Euro-centric canon (or maybeany — wow, I’m thinking hard here, but the answer might be zero). It’s also that as a result of that training, my philosophical habits of thinking, of where to go in the literature and the history of philosophy for help ruminating on a philosophical topic — even that of race — predisposed me toward white philosophers. Rebuilding different philosophical habits can be done, but it’s a slow and frustrating process. It would have been better to develop different philosophical habits from the get-go.

My professional identity and whether I count as a full person in the discipline is bound up with my middle-class whiteness, even as my being a woman jeopardizes that identity somewhat. Whiteness has colonized “doing philosophy, pure and simple,” which has a significant bearing on what it means to be a “real” philosopher. Graduate students tend to be deeply anxious about whether they are or will eventually count as real philosophers, and whiteness functions through that anxiety even as that anxiety can seem to be totally unrelated to race (to white people anyway — I’m not sure it seems that unrelated to graduate students of color).

G.Y.: For many whites the question of their whiteness never comes up or only comes up when they are much older, as it did in your case. And yet, as you say, there is the accrual of unjust white advantages. What are some reasons that white people fail to come to terms with the fact that they benefit from whiteness?

S.S.: That’s a tough one and there probably are lots of reasons, including beliefs in boot-strap individualism, meritocracy and the like. Another answer, I think, has to do with class differences among white people. A lot of poor white people haven’t benefited as much from whiteness as middle- and upper-class white people have. Poor white people’s “failure” to come to terms with the benefits of their whiteness isn’t as obvious, I guess I’d say. I’m not talking about a kind of utilitarian calculus where we can add up and compare quantities of white advantage, but there are differences.
I’m thinking here of an article I just read in the Charlotte Observer that my new home state of North Carolina is the first one to financially compensate victims of an aggressive program of forced sterilization, one that ran from the Great Depression all the way through the Nixon presidency. (A headline on an editorial in the Observer called the state’s payouts “eugenics checks.”) The so-called feeble-minded who were targeted included poor and other vulnerable people of all races, even as sterilization rates apparently increased in areas of North Carolina as those areas’ black populations increased. My point is that eugenics programs in the United States often patrolled the borders of proper whiteness by regulating the bodies and lives of the white “failures” who were allegedly too poor, stupid and uneducated to do whiteness right.
Even though psychological wages of whiteness do exist for poor white people, those wages pay pennies on the dollar compared to those for financially comfortable white people. So coming to terms with whiteness’s benefits can mean really different things, as can failing to do so. I think focusing the target on middle-class white people’s failure is important. Which might just bring me right back to your question!
G.Y.: And yet for so many poor people of color there is not only the fact that the wages pay less than pennies, as it were, but that black life continues to be valued as less. Is there a history of that racial differential wage between poor whites and poor blacks or people of color?
S.S.:Yes, definitely. Class and poverty are real factors here, but they don’t erase the effects of race and racism, at least not in the United States and not in a lot of other countries with histories (and presents) of white domination. The challenge philosophically and personally is to keep all the relevant factors in play in thinking about these issues. In that complex tangle, you hit the nail on the head when you said that black life continues to be valued as less. Poor white people’s lives aren’t valued for much either, but at least in their case it seems that something went wrong, that there was something of potential value that was lost.
Let’s put it even more bluntly: America is fundamentally shaped by white domination, and as such it does not care about the lives of black people, period. It never has, it doesn’t now, and it makes me wonder about whether it ever will.
Here is an important question: What would it mean to face up to the fact that the United States doesn’t really care much about black people? I think a lot about Derrick Bell’s racial realism nowadays, especially after reading some recent empirical work about the detrimental effects of hope in the lives of black men — hope, that is, that progress against racial discrimination and injustice is being made. How would strategies for fighting white domination and ensuring the flourishing of people of color change if black people gave up that hope? If strategies for living and thriving were pegged to the hard truth that white-saturated societies don’t and might not ever value black lives? Except perhaps as instruments for white people’s financial, psychological and other advantages — we have a long history of that, of course.
[...]

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

McCormick sobre os 500 anos de O Príncipe

A Social Research dedicou uma edição inteira aos 500 anos de publicação de O Príncipe de Maquiavel. John McCormick (Chicago) foi o responsável pela introdução e pela organização dos 10 textos que compõe o volume. Além dos artigos de McCormick, destaque para o artigo do historiador Jacob Soll (USC) no qual ele refaz a história da recepção do livro (The Reception of The Prince 1513 - 1700, or Why We Understand Machiavelli the Way We Do). 

- McCormick: "Machiavelli's The Prince at 500: The Fate of Politics in the Modern World"

Niccolò Machiavelli would have undoubtedly secured enduring fame for any one of the roles he played during his life in and out of Renaissance Florence: historian, diplomat, military strategist, civil servant, poet, playwright. However, it was in his capacity as a political thinker that Machiavelli earned eternal renown. His political writings sparked some of the most intense scholarly controversies in Western intellectual history and raised fundamental questions that every participant in politics throughout the globe would henceforth have to confront. Not without reason, many commentators consider Machiavelli the father of modern political thought or modern political science—some even ordain him the founder of “modernity” itself.

Yet the specific content and precise objectives of his political writings remain elusive half a millennium after their circulation. Was Machiavelli an advisor of tyranny or a partisan of liberty? A neutral technician of power politics or an Italian patriot? An anticlerical reviver of pagan virtue or a devious initiator of modern nihilism? To what extent was Machiavelli a “Machiavellian”? What would Machiavelli, the self-proclaimed and widely reputed master of political prudence, say about contemporary political problems? Intriguing answers to some of these provocative questions are offered by the esteemed contributors to this special issue of Social Research, which commemorates the five hundredth anniversary of the composition of Machiavelli’s most famous work, On Principalities (1513–1514)—or, as it was titled by others, The Prince.

This “little book,” as Machiavelli called his short treatise on the means of gaining, holding, and expanding political power, certainly announced a dramatic break with previous political doctrines anchored in substantively moral and religious systems of thought. Unlike his classical or medieval predecessors, who took their political bearings from transcendentally valid or divinely sanctioned conceptions of justice, the author of The Prince oriented himself to the “effectual truth” of politics; how the world actually “is” rather than how it “ought” to be. Indeed, Machiavelli’s often brutally “realistic” advice—meticulously analyzed here with surprising results by contributor Erica Benner—seems intended to contravene all previous, socially respectable forms of political reflection

[...] 

- McCormick: "The Enduring Ambiguity of Machiavellian Virtue: Cruelty, Crime and Christianity"


segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Entrevista: Thomas Picketty

O economista Thomas Picketty (Paris School of Economics) foi entrevistado pela Folha de S. Paulo durante sua "turnê" pelo país.  Na entrevista Picketty discute a (alegada) queda recente da desigualdade econômica no país e afirma: para saber se realmente houve queda na desigualdade precisamos também dos dados de renda e riqueza do 1% mais rico da sociedade.  


É um erro achar que [o] Brasil precisa de mais mercado, diz Picketty

por Rodrigo Vizeu

Em entrevista à Folha, Piketty, que já foi citado em discurso pela presidente Dilma Rousseff, reclamou que dados de má qualidade fazem com que a desigualdade brasileira seja subestimada, e sua redução, alardeada pelo governo, talvez exagerada.

Folha – Recentemente, Dilma disse que o Brasil vai contra a corrente internacional de alta da desigualdade que seu livro aponta. O sr. concorda?

Thomas Piketty - Políticas de educação e transferências sociais como as que foram aplicadas em certa medida no Brasil nestes dez últimos anos podem permitir ir contra a corrente de aumento da desigualdade, mas ela realmente diminuiu?
Não é tão certo, é possível que tudo tenha sido puxado para cima, inclusive os mais pobres, mas não necessariamente em maior proporção que os mais ricos.
A forma como medimos a desigualdade sem dúvida a subestima. No Brasil, ela é sem dúvida ainda mais alta do que muitas estatísticas oficiais dizem porque a maior parte delas se baseia em pesquisas familiares com autodeclaração. O problema dessas pesquisas é que temos tendência a subestimar o topo da distribuição. Infelizmente, tem sido muito difícil acessar os dados fiscais do Brasil.

Falta transparência?
Estudo recente (de pesquisadores da Universidade de Brasília) sugere que, se utilizamos dados fiscais, o nível das desigualdades no Brasil aumenta. Não sabemos muitas coisas sobre a distribuição da renda no Brasil e precisamos de mais transparência para ver melhor em que medida os diferentes grupos sociais se beneficiam do crescimento.
É evidente que todo o mundo se beneficiou do crescimento dos últimos 15 anos. Agora, em qual proporção exatamente os diferentes grupos se beneficiaram dele não sabemos muito bem. É possível que se tenha exagerado um pouco a [divulgação da] redução das desigualdades no Brasil.

Dilma também disse preferir investir em consumo e educação para lutar contra desigualdade a fazer taxação, como o sr. defende. Isso é suficiente?
Também é preciso reforma fiscal, de um imposto progressivo sobre a renda e sobre o patrimônio. Precisamos da reforma fiscal para financiar a educação. Acrescento que uma parte das desigualdades grandes do Brasil se explica pela relativamente baixa progressividade do sistema fiscal.

Como seria a reforma?
A faixa mais alta de Imposto de Renda no Brasil é de 27,5%, inferior à menor dos Estados Unidos. Creio que uma das razões pela qual há muito desigualdade no Brasil é a progressividade de IR relativamente baixa. Há também muitos impostos indiretos, que são regressivos e pesam sobre as camadas populares.
É importante também tratar de forma diferente as rendas anuais de R$ 100 mil e de R$ 1 milhão, R$ 5 milhões e R$ 10 milhões. Poderíamos ter faixas mais elevadas, de 50%, 60%.

Como na sua França natal?
Também como os EUA, o Reino Unido, a Alemanha, que têm taxas que vão até 40%, 50%. É ainda mais impressionante o imposto sobre herança, 4% [na maioria dos Estados] é realmente baixo, muito perto de zero.
É possível ter uma economia dinâmica e sistema capitalista próspero com imposto sobre herança alto. Para as novas gerações que não têm patrimônio familiar e procuram comprar apartamento em São Paulo, é muito difícil se você só tem a renda de seu trabalho. Não é normal que você ganhe R$ 100 mil por ano com seu trabalho e pague muito mais de imposto do que se você recebesse R$ 100 mil de herança de sua família.


domingo, 30 de novembro de 2014

Seminário: Desigualdade e Diferença

O CEM, CEBRAP e CPEI-Unicamp convidam para o seminário Desigualdades e Diferenças no Brasil: As Perspectivas Indígena e Quilombola. O objetivo do seminário é abordar o debate teórico e metodológico sobre desigualdade e diferença no Brasil a partir das perspectivas quilombola e indígena. O evento ocorrerá dia 5/12 na FFLCH-USP e será aberto ao público em geral.

A programação completa pode ser encontrada aqui

Organizadores: José Maurício Arruti (Unicamp); Marta Maria Azevedo (Unicamp); Monika Dowbor (CEM/Cebrap) e Thais Tartalha Lombardi (CEM/Cebrap) 





sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Quanto deve ganhar um CEO?

Sorapop Kiatpongsan (Chulalongkorn) e Michael Norton (Harvard Business School) publicaram o artigo How Much (More) Should CEOs Make? A Universal Desire for More Equal Pay no periódico Perspectives on Psychological Science no qual compararam, em 40 países, o salário que as pessoas estimam que os CEOs ganham em seus países e o salário que as pessoas acham que eles deveriam ganhar. O resultado pode ser encontrado no infográfico abaixo. A razão "ideal" ou "justa" entre o salário de altos executivos e trabalhadores não-qualificados esperado pelos entrevistados por Kiatpongsan e Norton é da ordem de 4 para 1 (isto é, executivos deveriam ganhar 4 vezes mais que os trabalhadores), já a razão estimada foi da ordem de 10 para 1 (as pessoas acreditam que os executivos ganhem, na realidade, 10 vezes mais do que os trabalhadores). 





O que chama atenção no artigo, no entanto, é a comparação dessas duas medidas (ideal e estimada) com os salários reais dos altos executivos (os dados só cobrem 13 países). Mesmo as estimativas mais pessimistas ficam muito aquém da diferença efetiva entre os salários dos CEOs, de um lado, e a remuneração de trabalhadores não-qualificados, de outro. A razão entre os valores ideais e efetivos em alguns países: Suécia (2,2: 89), França (6,3: 104), Espanha (2: 127), Suíça (5: 148), EUA (6,7: 354). Ou seja, nos EUA, por exemplo, os entrevistados acreditam que o salário de um alto executivo deveria ser pelo menos 6 vezes maior do que o de um trabalhador não-especializado mas, na verdade, um CEO ganha 357 vezes mais. A diferença é tão extrema que os valores "justos" (azul) praticamente desaparecem frente aos valores de remuneração reais (cinza) no gráfico abaixo:




Como concluem os autores: "os resultados sugerem - contra a crença de que são apenas os mais pobres ou os partidários de grupos de esquerda que exigem uma maior igualdade de rendimentos - que as pessoas em todos os países [estudados] prefeririam diminuir a distancia de salários entre ricos e pobres".