quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

Chamada: Dossiê Rousseau na Revista Dois Pontos

Revista Dois Pontos esta organizando um dossiê temático dedicado à obra de Rousseau, a ser publicado em outubro de 2018. A Revista Dois Pontos é editada conjuntamente pelos Departamentos de Filosofia da UFPR e da UFSCAR. O prazo para o envio de manuscritos termina dia 31 de junho de 2018. Mais informações na chamada abaixo:







Editor: Renato Moscateli (UFGO)
Prazo para submissão: 31/05/2018


sábado, 2 de dezembro de 2017

Desigualdades Urbanas e Imposto sobre Herança (Dez/2017)

No próximo dia 6/12, o Centro de Estudos da Metrópole (CEM) organizará a palestra Housing Price Increase: Inheritance Tax and Inequalities, ministrada pelo cientista político Patrick Le Galès (Science Po). Le Galès é um dos coordenadores do grupo de pesquisa Cities are Back in Town e tem se dedicado ao estudo do desenvolvimento urbano comparado, com ênfase nas dinâmicas de desigualdade nas grandes cidades européias. O evento é aberto ao público em geral. Mais informações na chamada abaixo:




quinta-feira, 23 de novembro de 2017

Livro: Teoria Crítica em Tempo de Crise

Organizado pelas teóricas críticas Penelope Deutscher e Cristina Lafont, ambas professoras da Northwestern University, a coletânea Critical Theory in Critical Times tem por objetivo reunir os trabalhos mais recentes da teoria crítica da sociedade. Os artigos reunidos no livro possuem duas características, ou duas tendências gerais, que têm marcado os trabalhos da teoria crítica na última década, a saber, uma volta à crítica do capitalismo, como nos trabalhos percursores de Fraser e Brown, e mais recentemente Jaeggi, e a incorporação de perspectivas pós-coloniais, como nos trabalhos de Allen e Mills (ver os artigos abaixo). 

A contribuição de Fraser para a coletânea, Behind Marx's Hidden Abode é ilustrativo desse duplo movimento. Nele, Fraser procura oferecer uma "teoria da crise" do capitalismo renovada pelos perspectivas ecológicas, pós-coloniais e feministas. Partindo do argumento marxiano clássico, segundo o qual o sistema econômico tem como ponto central (ou "morada escondida") a esfera da produção e a atividade do trabalho, Fraser argumenta que, para interpretarmos adequadamente o funcionamento do capitalismo contemporâneo, precisamos olhar para três outras dessas "moradas escondida" que, em certo sentido, tornam possível a própria produção econômica capitalista: a reprodução social nas famílias, o Estado moderno e as instituições representativas nacionais, e os recursos econômicos. 

Tomando como marco teórico os trabalhos históricos de Karl Polanyi e Immamnuel Wallerstein, Fraser procura mostrar como a esfera produtiva moderna e, consequentemente, uma sociedade de mercado de modo geral, dependem  histórica e logicamente de esferas sociais não-mercantilizáveis. Família, política e ecologia, para Fraser, funcionam no capitalismo moderno como condições institucionais para a organização da sociedade com base em mercados, são elas quem permitem que recursos vitais para a produção (como as tarefas de cuidado, as instituições e a matéria prima) possuam ser utilizadas de modo eficiente pelos setores produtivos. 

O ponto é que quando os mercados colonizam essas esferas, por exemplo, pela precarização do trabalho e pela dupla jornada das mulheres, ou pela crescente expropriação de recursos materiais globais, devemos esperar por crises estruturais de grande impacto. Ao mesmo tempo em que expande sua esfera de atuação, o mercado coloca em ameaça os pressupostos básicos de sua reprodução. Com isso Fraser é capaz de apontar para três "vetores de crises" no capitalismo contemporâneo: uma crise da reprodução social ou do cuidado, uma crise de representação política e dos limites do Estado e, finalmente, uma crise ecológica. Cada uma dessas crises representaria, para a autora, uma potencialidade emancipatória para aquelas e aqueles que lutam contra os imperativos deshumanizadores do capitalismo. 






Part I. The Future of Democracy
Part II. Human Rights and Sovereignty
4. A Critical Theory of Human Rights—Some Groundwork, by Rainer Forst
Part III. Political Rights in Neoliberal Times
5. Neoliberalism and the Economization of Rights, by Wendy Brown
6. Law and Domination, by Christoph Menke
Part IV. Criticizing Capitalism
Part V. The End of Progress in Postcolonial Times
10. "Post-Foucault": The Critical Time of the Present, by Penelope Deutscher
11. Criticizing Critical Theory, by Charles W. Mills

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Chamada: XI Encontro da ABCP (Curitiba/2018)

As inscrições de trabalhos para o XI Encontro da Associação Brasileira de Ciência Política (ABCP) , que ocorre entre os dias 31 de julho e 3 de agosto de 2018 na cidade de Curitiba, estão abertas até o dia 03/12. Entre as possíveis áreas temáticas para a submissão de resumos destacam-se a área de Teoria Políticaorganizado por Raquel Kritisch (UEL), a área Gênero, Democracia e Políticas Públicas, organizada por Flávia Biroli (UNB), e a área Política, Direito e Judiciário, organizada por Andrei Koerner (Unicamp). A lista completa das áreas, bem como as regras para a submissão, podem ser encontradas no site do evento.




XI Encontro da ABCP - Curitiba 2018 | Chamada de Trabalhos


A Associação Brasileira de Ciência Política (ABCP) tem o prazer de convidar a comunidade de estudiosos de Ciência Política e áreas correlatas a apresentarem propostas de trabalhos para o seu XI Encontro, que terá lugar no campus da Reitoria da Universidade Federal do Paraná, em Curitiba, de 31 de julho a 3 de agosto de 2018. O tema geral do Encontro será “Democracia e representação: impasses contemporâneos”.

APRESENTAÇÃO - XI ENCONTRO DA ABCP

No momento em que a Constituição de 1988 celebra trinta anos de existência, os caminhos da política brasileira convidam à reflexão sobre a qualidade de nossa democracia. Em junho de 2013, a explosão de protestos no país exibiu inesperado ceticismo popular em relação às eleições, aos partidos e ao voto. Desde então, com mudanças políticas ocorrendo num ritmo cada vez mais acelerado, o debate sobre os limites do nosso sistema político ultrapassou os muros do Congresso Nacional e da Academia, chegando à imprensa e ao grande público. Ao impeachment da presidente Dilma Rousseff somaram-se outros tantos eventos críticos que desafiam a estabilidade de nossas leis e instituições, elevando a imprevisibilidade quanto aos rumos da política nacional.
Porém, a crise brasileira parece ser algo mais do que apenas a manifestação de nossas idiossincrasias nacionais, exibindo, talvez com maior dramaticidade, os dilemas das democracias em todo mundo, notadamente as difíceis relações entre os poderes político e econômico e a ascensão de uma onda política conservadora. Esta última manifesta-se, sobretudo, frente à maior crise de refugiados da história recente, gerando na Europa o renascimento de um sentimento xenófobo que se expressa em episódios de violência aberta contra imigrantes, no fechamento de fronteiras, na construção de muros e na decisão, surpreendente para muitos, de saída do Reino Unido da União Europeia. Nos Estados Unidos, a eleição de Donald Trump, por sua vez, dá vazão a uma retórica de intransigência.
Nós, cientistas políticos, precisamos nos perguntar em que medida esses processos são, de fato, a expressão de uma propensão conservadora que traz consigo a defesa de uma nova ordem autoritária; se se trata antes de um descontentamento passageiro com as formas típicas da democracia representativa e, se for este o caso, se tal descontentamento traz consigo apenas indiferença frente aos destinos dessa forma ou, ao contrário, algum tipo de projeto democrático alternativo. Frente a esse cenário, acreditamos que nos cabe aproximar a pesquisa acadêmica do cotidiano social da controvérsia política; qualificar e nuançar os termos do debate público.
A ABCP espera que essa extensa agenda, passível de diversos ângulos de abordagem e reflexão, permita a seus associados dialogar de forma profícua e produtiva durante seu XI Encontro, tanto nos já tradicionais espaços reservados às Áreas Temáticas, Conferências e Sessões Especiais, quanto na nova arena dos Fóruns Regionais. Estes últimos são a expressão do esforço de capilarização da ABCP a fim de dar voz a debates realizados localmente nas Diretorias Regionais recém-eleitas.  

terça-feira, 24 de outubro de 2017

Livro: Justiça, Teoria Crítica e Democracia (NEFIPO)

O Núcleo de Ética e Filosofia Política (NEFIPO) da UFSC acaba de publicar, em edição on-line, a coletânea Justiça, Teoria Crítica e Democracia, organizada por Denilson Werle et alii. O livro é resultado dos trabalhos apresentados nos workshops de teoria e filosofia política anualmente organizados pelo grupo de pesquisa em Florianópolis e, como explicam os organizadores e organizadoras da edição, o livro está estruturado em quatro eixos temáticos: crítica social, democracia, justiça e eticidade democrática. O livro pode ser acessado íntegra aqui e no link abaixo:






Sumário
Os sentidos da justiça em Habermas e seu fundamento na deliberação
Alcione Roberto Roani
Educação, justiça social e políticas de reconhecimento: o programa Bolsa Família
Carline Schroder Arend
Notas sobre humilhação institucional: Rawls, Margalit e Nussbaum
Diana Piroli
Tolerar é ofender? A tolerância como reconhecimento e emancipação a partir do pensamento político de Rainer Forst
Edegar Fronza Junior
Como conciliar a razão pública e os valores religiosos? Uma resposta pragmática para a questão
Evânia E. Reich
Fragilidades estruturais da democracia constitucional: entre crises capitalistas e ajustes burocráticos
Ivan Rodrigues
Justiça social e conflitos sociais: O debate Fraser & Honneth
Jorge Armindo Sell
Juridicidade, judicialização e justicialização: entre o direito positivo e a justiça
Jovino Pizzi
Justificação pública e tolerância entre doutrinas abrangentes e razoáveis: A religião na esfera pública em Rawls
Julio Tomé
Igualdade e respeito deliberativo
Lucas Petroni
O comunitarismo e a educação: algumas considerações
Marcos Rohling
A contraposição entre justiça distributiva e justiça procedimental: um aparente dilema democrático
Nunzio Ali
Constitucionalismo e obrigação política de uma perspectiva intergeracional
Pedro Marques Neto
Eticidade, sofrimento e trabalho: repensando a teoria da alienação a partir da luta por reconhecimento
Ricardo Rojas Fabres
Três modelos de democracia republicana
Ricardo Silva
Esfera pública e cultura política: hipóteses de investigação sobre as novas mobilizações sociais no Brasil
Rurion Melo
Notas para uma teoria crítica da justiça
Denilson Luis Werle
Reflexões sobre o papel e o lugar da inveja na estrutura da teoria da justiça como equidade  
Raquel B. Cipriani Xavier

terça-feira, 10 de outubro de 2017

O Liberalismo Político: 25 anos (Ethics)

A última edição da Ethics trouxe uma seção especial com cinco artigos dedicados ao legado de O Liberalismo Político de John Rawls, que completou 25 anos de publicação em 2016. Com a publicação de O Liberalismo Político, Rawls sintetizava quase duas décadas de trabalhos após a publicação de Uma Teoria da Justiça (1971). O livro divide as opiniões da comunidade filosófica até hoje. Para alguns(mas), trata-se de uma capitulação da teoria normativa frente às exigências do realismo político, para outros, a obra teria mudado radicalmente o modo de conceber a própria filosofia política no interior de uma sociedade democrática. Fazem parte da coletânea rawlsianos e rawlsianas, como Paul Weithman, Rainer Forst, e Erin Kelly, e autores críticos do legado de Rawls, como Gerald Gaus. Alguns dos artigos podem ser acessados abaixo.







Andrew I. Cohen

Erin I. Kelly

Liberal political philosophers have underestimated the philosophical relevance of historical injustice. For some groups, injustices from the past—particularly surrounding race, ethnicity, or religion—are a source of entrenched social inequality decades or even hundreds of years later. Rawls does not advocate the importance of redressing historical injustice, yet political liberalism needs a principle of historical redress. Rawls’s principle of fair equality of opportunity, which is designed to prevent the leveraging of class privilege, could be paired with a supporting principle of historical redress that would contend with partiality and bias in open access to positions.


Paul Weithman

Rawls says in Political Liberalism that “the focus of an overlapping consensus is [more likely to be] a class of liberal conceptions” than a single one. In conceding that members of the well-ordered society are unlikely to live up to justice as fairness, Rawls would seem to have conceded that they are also unlikely to live autonomously. This is exactly the conclusion some commentators have drawn. I contend that the likelihood of “reasonable pluralism about justice” does not have the implication for Rawls’s project that it is said to have: political autonomy remains available even when such pluralism obtains.


Rainer Forst

This article suggests a Kantian reading of Rawls’s Political Liberalism. As much as Rawls distanced himself from a presentation of his theory in terms of a comprehensive Kantian moral doctrine, we ought to read it as a noncomprehensive Kantian moral-political theory. According to the latter approach, the liberal conception of justice is compatible with a plurality of comprehensive doctrines as long as they share the independently defined and grounded essentials of that conception of justice—that is, as long as they are “reasonable,” to use the term that does most of the Kantian work.

Gerald GausChad Van Schoelandt

As we read his work, John Rawls was developing an innovative approach to political philosophy, and Political Liberalism struggles with different ways to model these new insights. This article presents four models of political liberalism, particularly focusing on understanding the nature of overlapping consensus and its relation to public reason. Beyond clarifying Rawls’s insights, we aim to spur readers to reassemble the rich elements of Political Liberalism to produce tractable and enlightening models of political life among free and equal citizens under conditions of deep diversity to advance the public reason project.

John Skorupski

This article offers a critique of John Rawls’s great work, Political Liberalism, from a non-Rawlsian liberal standpoint. It argues that Rawlsian political liberalism is influenced as much by a comprehensive view I call “radical-democracy” as by comprehensive liberal views. This can be seen in Rawls’s account of some of political liberalism’s fundamental ideas—notably the idea of society as a fair system of cooperation, the “liberal” principle of legitimacy, and the idea of public reason. I further argue that Rawls’s impressive attempt to unify liberal and democratic traditions philosophically obscures the prudent liberal attitude to democracy, which remains sound.