terça-feira, 11 de abril de 2017

Foucault Filósofo (USP/2017)

O Departamento de Filosofia da USP realizará entre os dias 18 e 19 de abril sua 1a. Jornada Michel Foucault. Além das mesas de trabalho (na parte da tarde), o evento contará com as conferências de Roberto Machado (UFRJ) e Vladimir Safatle (USP). Inscrições podem ser realizadas aqui. A programação completa pode ser encontrada na chamada abaixo. 





quarta-feira, 5 de abril de 2017

Pós-doutorado: Ciência Política UFMG (2017-2018)

O Departamento de Ciência Política da UFMG abriu na última segunda-feira um edital para duas vagas de pós-doutorado em todas as áreas da ciência política. O departamento é um dos melhores do país, e possui conceito máximo na pós-graduação brasileira. As bolsas são da CAPES e o prazo para as inscrições termina dia 10 de abril. Veja o edital abaixo:



 


segunda-feira, 3 de abril de 2017

Edição especial da Economica sobre desigualdade

A revista Economica publicou uma edição especial sobre desigualdade. A revista, vinculada ao departamento de economia da LSE, reuniu artigos sobre desigualdade e problemas relacionados à distribuição, tanto do ponto de vista empírico como conceitual. O grande destaque da edição é o último artigo de Anthony Atkinson, falecido no início do ano (sobre a importância de Atkinson para os estudos sobre desigualdade, ver a excelente série posts do blog Sociais & Métodos dedicado ao economista). O artigo de Atkinson é uma tentativa de oferecer suporte empírico para o modelo de distribuição de Pareto, utilizado pelos economistas para medir a concentração de renda nas camadas superiores da estratificação social.

A edição traz um estudo de Alvaredo & Piketty sobre a parcela da herança na distribuição de riqueza privada nas democracias desenvolvidas. O artigo compara o padrão de acumulação de herança europeu e norte-americano, com suas semelhanças (formato em "U" ao longo do século) e diferenças (a importância da herança na desigualdade nos EUA é muito menor do que na Europa). Com uma contribuição formal, Decanq&Fleurbaey procuram avançar o debate das medidas multidimensionais de desigualdade, nas quais a distribuição dos recursos é sensível às preferências ou ao bem-estar (heterogêneo) dos indivíduos. Outro trabalho interessante - e também extremamente árido -  é o modelo formal de igualdade de oportunidade intergeracional desenvolvido pelo filósofo John Roemer e pelo economista turco Burak Unveren. A lista completa dos artigos pode ser encontrada abaixo:



Agradeço a Júlio Barroso pela notificação


quinta-feira, 30 de março de 2017

Chamada: Revisitar Rorty (Minho/2017)

O Grupo de Teoria Política da Universidade do Minho está recebendo propostas de trabalho para o evento Revisitar Richard Rorty, a ser realizado em setembro de 2017 na Universidade do Minho (Portugal). O encontro procura avaliar as contribuições de Rorty para a filosofia contemporânea dez anos após seu falecimento. São bem-vindos trabalhos de diferentes áreas -  epistemologia, filosofia política, história da filosofia, etc. - que dialoguem com esse legado. O palestrante convidado será o filósofo Robert Brandom (Pittsburgh).



Call for Papers: Revisitar Richard Rorty
Universidade do Minho (Braga)
25 e 26 de setembro, 2017

Keynote speaker: Robert Brandom (University of Pittsburgh)

No ano em que decorrem dez anos sobre a morte do filósofo norte-americano Richard Rorty, o Grupo de Teoria Política da Universidade do Minho organiza uma conferência internacional homenageando o trabalho de um dos mais relevantes filósofos do século XX. Para tal, convidamos ao envio de comunicações ou organização de painéis que se relacionem com qualquer um dos temas tratados por Richard Rorty.

Os tempos presentes convocam com especial acuidade temas a que Richard Rorty dedicou o seu trabalho, sobretudo no espaço em que a reflexão epistemológica se cruza com considerações políticas, como o papel desempenhado pelo conceito de verdade num momento marcado pela discussão em torno da pós-verdade, as reflexões em Achieving our Country sobre as possíveis consequências de uma esquerda académica espectatorial, ou a crescente consciência em torno da importância da linguagem nos modos de formular mundos. Apelamos, no entanto, ao envio de participações sobre qualquer outro tópico que se relacione com o pensamento do autor: metafilosofia, anti-representacionismo, novo pragmatismo, religião, ciência, filosofia analítica vs. filosofia continental, direitos humanos, feminismo, educação sentimental, função educacional da literatura, etc.; e naturalmente sobre posições críticas ao seu pensamento.

As propostas de comunicação ou painel (em português, inglês ou castelhano), com um máximo de 500 palavras e incluindo breve CV, nome da/o proponente, filiação institucional e endereço de e-mail, deverão ser enviadas até dia 15 de maio para o endereço: rortyconference@gmail.com

A confirmação será feita até ao dia 31 de maio. 

Inscrição:
Estudantes (qualquer grau): €35 
Pós-doc, contratos em part-time, etc.: €50 
Professores: €65

Publicação futura: Os participantes serão chamados a enviar as suas comunicações para uma publicação em torno da conferência.

Organização: Grupo de Teoria Política da Universidade do Minho: http://www.grupoteoriapolitica.org/



terça-feira, 28 de março de 2017

Nota da SBPC sobre a reforma no ensino médio

A Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) divulgou uma nota pública dirigida ao Ministério da Educação do governo Temer expressando séria preocupação sobre a qualidade do ensino no Brasil tendo em vista o modo como a reforma do ensino médio está sendo instituída. Um dos principais problemas da reforma, segundo a SBPC é a completa negligência do Ministério em relação aos meios pelos quais o governo federal irá garantir uma oferta pluralista dos chamados "itinerários educativos" criados pela nova legislação. A preocupação central é que essa negligência impacte drasticamente as grades curriculares das escolas com menos recursos e que, consequentemente, acabam sendo mais vulneráveis à falta das opções pedagógicas facultadas pela reforma. 

Como afirma o documento: "não podemos aceitar que a referida reforma suprima o acesso dos jovens ao conhecimento humano, organizado no campo das ciências naturais, das ciências humanas e das artes". A nota foi endossa também pela ANPOCS.




segunda-feira, 27 de março de 2017

Onora O'Neill recebe o Holberg Prize

A filósofa (e baronesa) britânica Onora O'Neill (Cambridge) recebeu o Prêmio Holberg que tem por objetivo reconhecer a contribuição de acadêmicos e acadêmicas no campo das ciências sociais e humanidades.  O'Neill foi escolhida pelo comitê por seu trabalho sobre a filosofia moral contemporânea (especialmente pela revitalização da filosofia moral de Kant) e por seus trabalhos sobre direitos humanos e confiança pública nas instituições. Em edições anteriores, já foram laureados pelo prêmio a crítica Julia Kristeva e os filósofos Ronald Dworkin e Jurgen Habermas.

Em um longa entrevista encontrada concedida à fundação Holberg (ver aqui), O'Neill avalia a sua carreira como filósofa (uma das primeiras filósofas da acadêmica britânica) e as principais contribuições de sua obra para o campo. Na entrevista, O'Neill conta como seu interesse pela filosofia de Kant foi despertada inicialmente por Stanley Cavell e pelo filósofo da matemática Charles Parsons, ambos professores em Havard nos anos 60 . Foi em Harvard também que O'Neill defendeu a sua tese sob a orientação de John Rawls, então prestes a publicar sua grande obra Uma Teoria da Justiça

O que é menos conhecido é que o primeiro trabalho de O'Neill na filosofia (até chegar em Harvard ela havia se dedicado à história) foi dedicado aos fundamentos da escolha racional e teve como interlocutor os trabalhos técnicos de Robert Nozick. Essa não é, contudo, uma informação tão estranha assim. Afinal, O'Neill é responsável pela publicação de um dos artigos mais instigantes sobre a relação necessária entre a racionalidade instrumental e o autonomia moral. Em Consistency in Action (1983) O'Neill procura demostrar como uma ética da autonomia racional pressupõe critérios instrumentais de consistência ainda que, evidentemente, tais critérios não sejam capazes de estabelecerem, por si só, um critério de consistência moral, tal como o fórmula de universalização das máximas para a ação. 

A grande contribuição de O'Neill foi pavimentar reaproximação entre a filosofia kantiana e a filosofia analítica (alguns de seus artigos sobre Kant podem ser encontrados aqui). Na entrevista, O'Neill apresenta a sua (re)interpretação tendo como contraponto os trabalhos dos dois filósofos kantianos mais importantes do século XX: seu orientador, John Rawls, e o alemão Jurgen Habermas. É interessante notar como O'Neill procura agrupar Rawls e Habermas como membros de um projeto filosófico comum, a saber, a busca por critérios racionais de legitimidade e justiça em sociedades pluralistas, ao mesmo tempo em que distanciar-se de suas versões de construtivismo moral. Para O'Neill, a noção de razão pública, segundo a qual devemos formular nossos princípios levando em consideração os valores e os lugares de fala alheios, não deve ser entendida como um ideal a ser aplicado às reivindicações efetivas de uma sociedade democrática, mas sim como um pressuposto mais geral, necessário à própria racionalidade universal humana.

Mais recentemente, O'Neill tem se dedicado ao tema da justiça global, mais especificamente, criticando teorias centradas excessivamente sobre direitos e propondo uma realocação das obrigações de justiça na esfera global, e aos problemas da confiança (ou da falta dela) na esfera pública - objeto de sua Ted Talk de 2013 (ver abaixo). Por fim, O'Neill aborda os fenômenos recentes da volta do populismo de direito (especialmente no caso inglês) e do papel das novas mídias sociais em movimentos anti-democráticos. Para a filósofa, uma dos problemas centrais da democracia contemporânea diz respeito a falsa sensação de publicização de ideias no uso de ferramentas privadas de comunicação como Facebook e Twitter. Estabelecer as bases de uma esfera pública pública na era da informação talvez seja o principal desafio democrático para as próximas décadas.